“Este é o lado difícil das situações difíceis:
não há fórmulas para lidar com elas.”
— Ben Horowitz
No universo da gestão empresarial, o verdadeiro desafio raramente está em montar um organograma bem estruturado, contratar profissionais talentosos ou criar dashboards sofisticados. Confira os erros de gestão.
O mais complexo é:
- Estimular a comunicação eficaz entre setores.
- Lidar com colaboradores altamente capacitados que, por vezes, passam a fazer exigências descabidas.
- Estabelecer ordem sem burocratizar excessivamente os processos.
- Utilizar indicadores com propósito, e não apenas para justificar decisões.
- Traduzir dados em inteligência real que oriente a tomada de decisão.
- Manter a sanidade quando o sonho se transforma em pesadelo.
A verdade é que não existem fórmulas prontas para resolver contextos organizacionais dinâmicos e complexos. No entanto, há aprendizados práticos, princípios sólidos e boas práticas que podem — e devem — ser compartilhados.
A seguir, listo 8 erros de gestão que cometi ao longo dos últimos anos como fundador e gestor do meu negócio — e as lições extraídas de cada um deles.
1. Desconsiderar as Estações do Negócio – um dos erros de gestão.
Todo empreendimento, assim como o mercado, passa por ciclos:
- Primavera: um momento de inovação e novas oportunidades.
- Verão: fase de crescimento acelerado.
- Outono: período de ajustes e reestruturações.
- Inverno: momento de crise ou retração.
O erro: esperar que o negócio permaneça em “verão” constante, o tempo inteiro.
Aprendizados:
- Evitei comparações injustas entre fases diferentes de empresas.
- Passei a tomar decisões estratégicas com base na etapa real do meu negócio e no contexto de mercado.
- Compreendi que crescimento sustentável requer ritmo, consistência e adaptação.
2. Depositar Esperança em um “Salvador da Pátria” – mais um erro de gestão.
Acreditei, equivocadamente, que bastava encontrar a pessoa certa — um CEO visionário, um estrategista genial — para que tudo fosse resolvido.
Essa crença é perigosa. Mesmo profissionais altamente capacitados podem não compreender o contexto e os produtos com a profundidade necessária.
Aprendizados:
- Nenhum talento, por mais competente que seja, conhece o negócio melhor que o próprio fundador.
- Liderança não pode ser terceirizada. Capacitação contínua é obrigação do gestor.
3. Ser o Gargalo da Operação
Ao tentar estar envolvido em todas as decisões e processos, tornei-me o principal gargalo da empresa. A centralização excessiva prejudicava a fluidez da operação.
Aprendizados:
- O papel do líder é capacitar, delegar com responsabilidade e estimular autonomia.
- Implementei uma trilha de desenvolvimento:
- Executo e ensino.
- Acompanho e corrijo.
- Confio e monitoro.
4. Delegar sem Organização
Delegar não significa ausentar-se.
Ao não organizar minhas próprias rotinas, comprometi a produtividade da equipe e enfraqueci minha autoridade.
Aprendizados:
Criei uma rotina semanal de gestão com 4 pilares:
- Ações diretas: tarefas e decisões sob minha responsabilidade.
- Acompanhamento: follow-up de entregas sob responsabilidade de liderados.
- Projetos estratégicos: iniciativas prioritárias vinculadas aos objetivos principais do negócio.
- Visão de futuro: ideias e oportunidades com potencial, mas sem urgência.
5. Falta de Processos Definidos
Empresas sem processos claros vivem em modo reativo. E o gestor vira bombeiro, não estrategista.
Aprendizados:
- Estruturei pautas e atas para todas as reuniões, com apoio de inteligência artificial.
- Organizei a triagem da comunicação com base na filosofia do Inbox Zero.
- Reduzi o tempo de exposição ao celular e estabeleci horários de resposta.
6. Ausência de Foco Estratégico
Ser engolido pela operação diária é uma armadilha comum. Mas um líder não pode abandonar a visão estratégica da organização.
Aprendizados:
- Adotei o conceito de Essencialismo: reservar diariamente um período exclusivo para decisões estratégicas.
- Mesmo que não seja possível 2h por dia, comecei com 30 minutos. O mais importante é a consistência.
7. Medir Apenas para Justificar
Já tive dashboards sofisticados que não geravam nenhuma ação. Medir por medir é perda de tempo — e de recursos.
Aprendizados:
- Todo indicador precisa ter uma finalidade prática e estar vinculado a decisões.
- Um dashboard útil é aquele que orienta, não apenas impressiona.
8. Ignorar as Lições do Passado
Muitos dos problemas enfrentados por empreendedores já foram enfrentados por outros. E ignorar essas experiências é repetir erros evitáveis.
Aprendizados:
- Aprofundei-me no estudo de boas práticas.
- Aprendi com histórias de fracasso e sucesso alheios.
- Estabeleci o hábito de documentar e revisar constantemente meus próprios processos.
Conclusão
Liderar um negócio é como comandar uma embarcação em mar aberto.
Nem sempre os ventos serão favoráveis. O que diferencia um bom gestor é sua capacidade de ajustar as velas, manter a estrutura e seguir em frente com responsabilidade e visão de longo prazo.
“Não percas tempo! Multiplica os teus talentos, pois um dia o Senhor pedirá contas do que fizeste com eles.” — Santo Afonso de Ligório
Errar faz parte. Aprender e evoluir a partir dos erros é o que transforma líderes comuns em líderes extraordinários.


