8 Erros de Gestão que Quase Afundaram Meu Negócio — e Como Corrigi Cada Um

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Ed Souza

Empresário, mentor e fundador da Mentory Int.

“Este é o lado difícil das situações difíceis:
não há fórmulas para lidar com elas.”
— Ben Horowitz

No universo da gestão empresarial, o verdadeiro desafio raramente está em montar um organograma bem estruturado, contratar profissionais talentosos ou criar dashboards sofisticados. Confira os erros de gestão.

O mais complexo é:

  • Estimular a comunicação eficaz entre setores.
  • Lidar com colaboradores altamente capacitados que, por vezes, passam a fazer exigências descabidas.
  • Estabelecer ordem sem burocratizar excessivamente os processos.
  • Utilizar indicadores com propósito, e não apenas para justificar decisões.
  • Traduzir dados em inteligência real que oriente a tomada de decisão.
  • Manter a sanidade quando o sonho se transforma em pesadelo.

A verdade é que não existem fórmulas prontas para resolver contextos organizacionais dinâmicos e complexos. No entanto, há aprendizados práticos, princípios sólidos e boas práticas que podem — e devem — ser compartilhados.

A seguir, listo 8 erros de gestão que cometi ao longo dos últimos anos como fundador e gestor do meu negócio — e as lições extraídas de cada um deles.

1. Desconsiderar as Estações do Negócio – um dos erros de gestão.

Todo empreendimento, assim como o mercado, passa por ciclos:

  • Primavera: um momento de inovação e novas oportunidades.
  • Verão: fase de crescimento acelerado.
  • Outono: período de ajustes e reestruturações.
  • Inverno: momento de crise ou retração.

O erro: esperar que o negócio permaneça em “verão” constante, o tempo inteiro.

Aprendizados:

  • Evitei comparações injustas entre fases diferentes de empresas.
  • Passei a tomar decisões estratégicas com base na etapa real do meu negócio e no contexto de mercado.
  • Compreendi que crescimento sustentável requer ritmo, consistência e adaptação.

2. Depositar Esperança em um “Salvador da Pátria” – mais um erro de gestão.

Acreditei, equivocadamente, que bastava encontrar a pessoa certa — um CEO visionário, um estrategista genial — para que tudo fosse resolvido.

Essa crença é perigosa. Mesmo profissionais altamente capacitados podem não compreender o contexto e os produtos com a profundidade necessária.

Aprendizados:

  • Nenhum talento, por mais competente que seja, conhece o negócio melhor que o próprio fundador.
  • Liderança não pode ser terceirizada. Capacitação contínua é obrigação do gestor.

3. Ser o Gargalo da Operação

Ao tentar estar envolvido em todas as decisões e processos, tornei-me o principal gargalo da empresa. A centralização excessiva prejudicava a fluidez da operação.

Aprendizados:

  • O papel do líder é capacitar, delegar com responsabilidade e estimular autonomia.
  • Implementei uma trilha de desenvolvimento:
    1. Executo e ensino.
    2. Acompanho e corrijo.
    3. Confio e monitoro.

4. Delegar sem Organização

Delegar não significa ausentar-se.
Ao não organizar minhas próprias rotinas, comprometi a produtividade da equipe e enfraqueci minha autoridade.

Aprendizados:

Criei uma rotina semanal de gestão com 4 pilares:

  • Ações diretas: tarefas e decisões sob minha responsabilidade.
  • Acompanhamento: follow-up de entregas sob responsabilidade de liderados.
  • Projetos estratégicos: iniciativas prioritárias vinculadas aos objetivos principais do negócio.
  • Visão de futuro: ideias e oportunidades com potencial, mas sem urgência.

5. Falta de Processos Definidos

Empresas sem processos claros vivem em modo reativo. E o gestor vira bombeiro, não estrategista.

Aprendizados:

  • Estruturei pautas e atas para todas as reuniões, com apoio de inteligência artificial.
  • Organizei a triagem da comunicação com base na filosofia do Inbox Zero.
  • Reduzi o tempo de exposição ao celular e estabeleci horários de resposta.

6. Ausência de Foco Estratégico

Ser engolido pela operação diária é uma armadilha comum. Mas um líder não pode abandonar a visão estratégica da organização.

Aprendizados:

  • Adotei o conceito de Essencialismo: reservar diariamente um período exclusivo para decisões estratégicas.
  • Mesmo que não seja possível 2h por dia, comecei com 30 minutos. O mais importante é a consistência.

7. Medir Apenas para Justificar

Já tive dashboards sofisticados que não geravam nenhuma ação. Medir por medir é perda de tempo — e de recursos.

Aprendizados:

  • Todo indicador precisa ter uma finalidade prática e estar vinculado a decisões.
  • Um dashboard útil é aquele que orienta, não apenas impressiona.

8. Ignorar as Lições do Passado

Muitos dos problemas enfrentados por empreendedores já foram enfrentados por outros. E ignorar essas experiências é repetir erros evitáveis.

Aprendizados:

  • Aprofundei-me no estudo de boas práticas.
  • Aprendi com histórias de fracasso e sucesso alheios.
  • Estabeleci o hábito de documentar e revisar constantemente meus próprios processos.

Conclusão

Liderar um negócio é como comandar uma embarcação em mar aberto.
Nem sempre os ventos serão favoráveis. O que diferencia um bom gestor é sua capacidade de ajustar as velas, manter a estrutura e seguir em frente com responsabilidade e visão de longo prazo.

“Não percas tempo! Multiplica os teus talentos, pois um dia o Senhor pedirá contas do que fizeste com eles.” — Santo Afonso de Ligório

Errar faz parte. Aprender e evoluir a partir dos erros é o que transforma líderes comuns em líderes extraordinários.

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